Capela de Santa Sara Kali é elevada a Santuário em celebração marcada pelo Sagrado Feminino, pedra fundamental e unção do altar
- Arquidiocese Rio de Janeiro
- há 1 dia
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No dia 19 de julho de 2026, a Capela de Santa Sara Kali, localizada na Estrada Santa Fé, nº 303, em Monjolos, São Gonçalo/RJ, e integrante da jurisdição pastoral da Igreja Vétero Católica no Brasil, celebrou a Santa Missa em honra a Santa Maria Madalena. O encontro reuniu devotos, famílias e visitantes em um dia marcado pela oração, pela espiritualidade, pela cultura e por importantes acontecimentos na caminhada pastoral daquele lugar espiritual.
A Santa Missa foi presidida por Dom Diogo Pereira, Arcebispo Primaz da Igreja Vétero Católica no Brasil, com a concelebração do Padre Hélder Ribeiro Lima e a participação ativa dos seminaristas Joaquim Nunes, da Capela de Santo Antônio e São Francisco, de Silva Jardim, e Lenin Moraes. A comentarista foi a Irmã Janaina Nunes, também da mesma Capela, que colaborou com zelo na liturgia, na orientação dos fiéis e nas atividades realizadas durante o dia.
A celebração, que teve como tema o Sagrado Feminino, voltou-se de modo especial para a vida, a fé e a proximidade de Santa Maria Madalena com Jesus Cristo. Em sua homilia, Dom Diogo destacou a dignidade e a missão das mulheres no Evangelho, recordando que Cristo, após a Ressurreição, manifestou-se primeiramente a Maria Madalena e a chamou pelo nome, reconhecendo sua identidade e confiando-lhe uma missão.
O Arcebispo lembrou também que o primeiro sinal realizado por Jesus, nas bodas de Caná, aconteceu após a intervenção de sua mãe, que embora não ter sido chamada pelo nome, foi destacada com a palavra Mulher. A reflexão mostrou que o feminino não ocupa um lugar secundário na história da salvação, mas aparece como presença de fé, fidelidade, coragem e anúncio, desde Maria, mãe de Jesus, até Maria Madalena e as demais mulheres que permaneceram próximas do Senhor, tal como Santa Sara.
Durante a Missa, a barca de Santa Sara voltou a ser conduzida pela assembleia para que os devotos depositassem seus pedidos e intenções. Dom Diogo explicou que o símbolo recorda a tradição devocional segundo a qual as Marias atravessaram o mar até Saintes-Maries-de-la-Mer, travessia da qual também teria participado Maria Madalena. A barca tornou-se, assim, sinal de fé, proteção e confiança em Deus, ligando a devoção a Santa Sara Kali ao tema do Sagrado Feminino vivido naquela celebração.
Imediatamente após a Missa, durante o rito de lançamento da pedra fundamental conduzido por Dom Diogo, o Arcebispo Primaz anunciou oficialmente a elevação da Capela de Santa Sara Kali à condição de Santuário. Na ocasião, apresentou à assembleia o documento por ele assinado, formalizando esse importante marco na caminhada pastoral do local.
No interior da pedra fundamental foram colocados um exemplar de jornal impresso naquele mesmo dia, como registro histórico, uma moeda em circulação e a ata da cerimônia, assinada pelos presentes. A pedra foi lacrada e, em seguida, depositada no solo por Fernanda e Renato Araújo, responsáveis pelo Santuário e fundadores daquele lugar espiritual.
Na sequência, Dom Diogo realizou a unção do altar com os Santos Óleos, gesto pelo qual ele foi dedicado a Deus e reconhecido como sinal do próprio Cristo no centro da vida litúrgica da comunidade. Para participar desse momento, foram convidadas três mulheres, em memória das três Marias que foram ao túmulo de Jesus para ungi-lo: Fernanda Araújo; Williana Carine, como representante do povo cigano de sangue; e Claudia Lemos, como representante do povo cigano de alma.
A participação das três mulheres junto ao altar expressou a fidelidade, a presença e a força feminina na caminhada cristã, em profunda sintonia com Santa Maria Madalena e com as mulheres que permaneceram próximas de Jesus. Durante a sequência da unção, Williana Carine e seu esposo, Paulo Cigano, entoaram “Djelem Djelem”, hino do povo Rom, em um momento de intensa emoção para todos os participantes.
Após o almoço, houve a bênção das frutas e dos pães, dispostos sobre uma mesa especialmente ornamentada para a festividade. Os alimentos abençoados foram partilhados entre os presentes como sinal de comunhão, gratidão e fraternidade, assim como sinal de bons frutos, visto que Santa Sara e Maria Madelena são santas associadas com boa colheita e como intercessoras de mulheres que desejam engravidar, isto é, frutos em seu ventre.
A programação cultural contou ainda com as apresentações do Grupo Estrela Cigana, dirigido pela professora Zirdana Valle, e do Studio de Dança Noor Farag, dirigido pela professora Ruya Farag. Entre as apresentações, Dom Diogo refletiu sobre as danças, a liberdade que elas representam para as mulheres e sua relação com o Sagrado Feminino e uma libertação prometida desde o Gêneses e que se acentua em Maria Madalena.
Assim, os presentes acompanharam não apenas um espetáculo cultural, mas também uma experiência de formação e espiritualidade, na qual a dança se tornou expressão de liberdade, dignidade, identidade e presença feminina, unindo beleza artística, conhecimento e alimento espiritual.
A acolhida e a organização local estiveram a cargo de Fernanda e Renato Araújo, que mais uma vez receberam devotos, visitantes, artistas e expositores com dedicação e zelo. Ao longo do dia, o Sítio Santa Sara permaneceu marcado pela oração, pela convivência fraterna e pela partilha entre os participantes.
A celebração em honra a Santa Maria Madalena tornou-se, assim, um marco histórico para o agora Santuário de Santa Sara Kali. A elevação oficial, o lançamento da pedra fundamental, a unção do altar, a bênção dos alimentos, o canto e as danças testemunharam que a fé cristã também se manifesta na dignidade, na coragem e na missão das mulheres que, como Maria Madalena, permanecem próximas de Cristo e anunciam a esperança da Ressurreição.
Acompanhe a programação do Santuário de Santa Sara Kali pelo Instagram: @capela.santasarakali
















