A "Dormição" de Nossa Senhora

O Mistério da Dormição de Maria
Não sabe a Igreja o modo do mistério,
se a Mãe morreu, ou se apenas dormiu;
mas sabe que, ao findar seu itinerário,
o Céu, para recebê-la, se abriu.
Se morte houve, foi morte sem tristeza,
morte de amor, que em Deus se consumou;
pois nela não reinou a antiga fraqueza,
nem o pecado o seu jardim manchou.
Talvez dormisse em santo e doce sono,
repouso breve, sereno e maternal;
e os anjos, inclinados ante o trono,
guardassem seu silêncio virginal.
Não foi a morte a última palavra,
nem teve a sepultura seu poder;
aquela que gerou o Verbo Eterno
não podia ao pó eternamente pertencer.
E quando os anjos vieram despertá-la,
tomaram sua alma em luz e esplendor;
e o próprio Céu se alegra ao contemplá-la,
vestida para sempre do seu amor.
Maria sobe — não por força humana,
mas pela graça que em seu ser brilhou;
e Cristo, Filho, em glória soberana,
à Mãe que O deu ao mundo a si elevou.
Se dorme, é para a vida despertar;
se morre, é de amor, sem corrupção;
e em ambos os mistérios há um só mar:
a graça triunfando sobre a morte então.
Assim permanece o santo ensinamento:
Maria é levada à glória celestial;
e o que permanece oculto no momento
é parte do mistério sobrenatural.
Dormiu? Morreu? — A Igreja contempla,
sem violentar o véu da imensidão;
pois sabe apenas que o Céu a reclamou,
e que em Cristo está sua ressurreição.
Ó Mãe, que ao Céu subiste em corpo e alma,
entre os anjos, em régia exaltação,
ensina-nos, ao fim, a ter a calma
de quem entrega a Deus a alma e o coração!
Diácono Rodrigo Lima 14/08/2026





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