Cristologia Ascendente parte 2 de 3
- Sem. Rodrigo Lima - Arquidiocese Rio de Janeiro

- 20 de jun.
- 2 min de leitura

A Cristologia Ascendente – Parte 2
Entendemos por Cristologia Ascendente a forma de compreender a pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo partindo de sua humanidade para chegar ao reconhecimento de sua divindade. Foi o que tratamos na Cristologia descendente. Enquanto a cristologia descendente inicia sua reflexão no Filho Eterno de Deus, segunda Pessoa da Trindade, que desce ao mundo para se encarnar no seio da Santíssima Virgem, a cristologia ascendente começa observando o Jesus histórico: seu nascimento, sua vida, suas palavras, seus milagres, sua morte e sua ressurreição.
Os primeiros discípulos encontraram Jesus como um homem real que caminhava entre eles, comia com eles, ensinava com autoridade, acolhia os pobres, curava os enfermos, desafiava as autoridades com autoridade do alto, e anunciava o Reino de Deus. Aos poucos, pela convivência com Ele, perceberam que sua identidade ultrapassava a de um simples profeta. Sua intimidade singular com Deus, seu poder sobre a natureza, sobre os demônios, o perdão dos pecados que escandalizava os fariseus e, sobretudo, sua Ressurreição e, finalmente sua Ascensão gloriosa aos céus quando o próprio Deus dá testemunho de Cristo: “Este é o meu Filho amado em quem me comprazo: ouvi-O”( Mt.17,5) levaram os discípulos a professar que Jesus era verdadeiramente o Filho de Deus. “Tu és o Cristo, Filho de Deus vivo” afirma São Pedro! (MT. 16,16)
A Cristologia Ascendente procura seguir esse mesmo caminho de descoberta. Perguntamos: quem foi este homem chamado Jesus de Nazaré, o Galileu? O que havia em sua vida e missão que levou seus seguidores a reconhecê-lo como Senhor e Salvador? A resposta encontra seu ponto culminante na Ressurreição. Ao ressuscitar Jesus dentre os mortos, Deus confirmou sua missão e revelou plenamente sua identidade divina. Na Ascensão o Divino Salvador se eleva de forma sobrenatural, totalmente diferente da sua Encarnação.
Essa perspectiva possui grande valor pastoral, pois aproxima Cristo da experiência humana, O coloca como centro da vida cristã. Ela recorda que Deus não se revelou de maneira distante ou abstrata, mas entrou na história humana para fazer parte dela. Em Jesus vemos um homem que trabalhou, sofreu, chorou, alegrou-se com os amigos e enfrentou a morte. Sua humanidade não diminui sua divindade; pelo contrário, torna visível o amor de Deus pela humanidade.
Entretanto, a tradição cristã ensina que a Cristologia Ascendente deve estar em harmonia com a Cristologia Descendente. Jesus não se tornou Filho de Deus apenas em algum momento de sua vida; Ele é o Filho eterno que assumiu a natureza humana. A caminhada ascendente é, portanto, o percurso pelo qual os discípulos chegaram a reconhecer uma verdade que já existia desde toda a eternidade. E esse reconhecimento também nos é oferecido pela Fé que professamos.
Assim, a Cristologia Ascendente nos convida a contemplar Jesus de Nazaré em sua humanidade concreta e, por meio dela, descobrir o mistério de sua divindade eterna. É um caminho de fé semelhante ao dos Apóstolos: partir do encontro com o homem Jesus para chegar à profissão de fé que ecoa através dos séculos: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.” E nós O confessamos através de gestos concretos capazes de ir ao encontro da humanidade ferida de nossos irmãos para curá-la com a Divindade de Cristo.
Que a paz esteja com todos!
Seminarista Rodrigo Lima



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