A Divina Providência no nosso quotidiano
Atualizado: há 5 horas
Há, nos caminhos da vida, acontecimentos que os olhos humanos não compreendem e circunstâncias que parecem surgir ao acaso. Contudo, para aquele que possui fé, o acaso não passa de um nome dado pelos homens àquilo que ainda não conseguiram compreender. Acima das contingências do mundo, há uma Sabedoria eterna que governa todas as coisas e uma Mão invisível que, sem violentar a liberdade humana, conduz silenciosamente os “destinos” daqueles que n’Ela confiam: É a Divina Providência.
Ela não promete ao homem uma existência sem lágrimas, nem uma estrada livre de espinhos. Muitas vezes, permite que passemos por vales escuros, por esperas prolongadas, por portas que se fecham e por caminhos que, aparentemente, conduzem ao nada. E, entretanto, é justamente quando tudo parece perdido que a Providência começa a revelar a beleza secreta de seus desígnios. É algo sublime como somente as coisas de Deus o são.
Aquele que tem fé não precisa compreender tudo para continuar caminhando. Basta-lhe saber em Quem depositou a sua confiança, rezar e não se preocupar mais comigo nos ensina São Pio.
Quantas vezes julgamos uma perda aquilo que, mais tarde, se revela uma proteção!
Quantas portas fechadas foram, na verdade, livramentos que não soubemos reconhecer! Quantas demoras prepararam acontecimentos que não poderiam ter florescido antes do tempo! E quantas lágrimas, derramadas em silêncio, foram regando uma graça que somente muito depois haveríamos de contemplar!
A Providência trabalha no silêncio. No silêncio absoluto dos sentidos, dos sentimentos, da própria essência humana no seu todo.
Não necessita de alarde, não se anuncia com trombetas, nem costuma revelar antecipadamente os seus caminhos. Ela age como a semente sepultada na terra: invisível aos olhos, mas viva em seu mistério. Enquanto o homem pensa que nada acontece, Deus pode estar preparando aquilo que transformará inteiramente a sua história.
Por isso, a fé verdadeira não é apenas acreditar quando tudo corre bem. É permanecer de pé quando a razão já não encontra explicações. É continuar rezando quando a resposta tarda. É conservar a esperança quando a noite parece não terminar. É dizer, mesmo entre lágrimas: “Eu não compreendo, Senhor, mas confio.”
E talvez esta seja uma das mais sublimes expressões da fé: confiar não somente naquilo que Deus faz, mas também naquilo que Deus permite.
Porque a Providência não se manifesta apenas nas graças recebidas, mas também nas contrariedades que nos purificam; não somente nas portas que se abrem, mas igualmente naquelas que misericordiosamente permanecem fechadas. Há bênçãos que chegam sob a aparência de sofrimento, e há livramentos que, no momento em que acontecem, parecem infortúnios.
O homem de fé aprende, pouco a pouco, a não julgar a obra de Deus pela primeira página de sua história. Deixa que Deus escreva até o fim.
Quando a tempestade se levanta, ele não abandona a barca. Quando o caminho se torna árido, não lança fora a sua esperança. Quando a noite desce sobre a alma, conserva consigo a pequena lâmpada da oração. Sabe que, por mais profundas que sejam as sombras, nenhuma noite é eterna diante da luz de Deus.
A Divina Providência é, portanto, a certeza de que nossa existência não está entregue ao abandono, à desordem ou ao capricho das circunstâncias. Há um Deus que conhece aquilo que ignoramos, vê aquilo que não vemos e prepara aquilo que ainda não somos capazes de imaginar.
Por isso, não desesperemos diante dos acontecimentos que hoje nos ferem.
Talvez amanhã compreendamos.
E, se não compreendermos nesta vida, bastará saber que Deus compreendeu por nós.
Aquele que vive pela fé pode caminhar com serenidade mesmo quando não enxerga o caminho, porque sabe que não caminha sozinho. E quando já não tiver forças para escolher a direção, poderá simplesmente colocar a própria vida nas mãos da Providência e dizer: “Senhor, conduzi-me Vós. Se o caminho é Vosso, não temo onde ele termina.” Porque, no coração daquele que verdadeiramente crê, existe uma certeza que nenhuma adversidade consegue destruir: Deus jamais abandona aqueles que n’Ele depositam a sua confiança.
E muitas vezes, quando pensamos estar esperando por Deus, descobrimos, ao olhar para trás, que era Deus quem, silenciosamente, estava preparando o nosso caminho!
Diácono Rodrigo Lima




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