“Somos servos inúteis, fizemos apenas o que devíamos fazer” (Lc. 17, 10)
- Arquidiocese Rio de Janeiro

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Nesta passagem narrada por São Lucas, que considero de melhor proveito leiam todo o versículo do capítulo 17, 7-10, pois assim vamos criando o hábito, se já não o temos, de ler, ainda que um pequeno trecho do Santo Evangelho todos os dias, nós nos deparamos mais uma vez com o Mestre nos ensinando sobre o valor da humildade e, por mais títulos que tenhamos ou viermos a conquistar seremos sempre servos inúteis diante do grande e abrangente trabalho que nos foi confiado, a cada um em suas limitações e a todos em suas más disposições. Todavia nos dando sempre muitas e muitas oportunidades.
Aqui me vem uma sábia e profunda reflexão de Dom Diogo durante nossa aula de formação: “a ovelha gorda”! À primeira vista nos parece engraçado porque inevitavelmente nos vem a figura de uma ovelha obesa refestelada sobre o feno mascando um ramo enquanto tira um cochilo. Sim, esta figura permanece se não compreendermos o que ela representa.
Somos todos ovelhas do rebanho do Bom Pastor; conhecemos Sua voz e Ele nos chama pelo nome. A alguns Ele permite começar ovelha e terminar pastor no sentido de estarmos sempre atentos à sua voz e, por conseguinte segui-lo por onde for. Ele chama, uma ovelha começa a andar, outras se levantam para acompanha-la e assim todo o rebanho se junta e caminha após o Pastor. O seguem quer seja para outras pastagens, para a beira do rio, ou para o aprisco seguro porque Ele é o Bom pastor e como tal cuida do seu rebanho.
Mas, olhando para o campo verdejante onde estavam as ovelhas, percebemos que algumas ali permaneceram deitadas, dormindo, comendo e engordando. “Satisfeitas” pelo pasto abundante, a sombra do salgueiro, perto do regato, distraídas neste excelente lugar onde o Pastor as levou de passagem. Assim apenas engordam e engordam e cada vez mais se apegam aquele bem estar sem considerarem que, talvez por serem muito robustas, serão levadas rapidamente ao matadouro.
Estas ovelhas são os que se satisfazem e se deleitam com o pouco e, por preguiça não se dispõem a seguir o Pastor por lugares ainda melhores; duvidam, se acomodam, se deixam prender por ali diante das facilidades que encontram. Também não percebem que lobos as espreitam e que de um momento a outro, se escapam do tosquiador, caem nas garras do predador. É a consequência do relaxamento!
Por sua livre e espontânea vontade decidiram gozar dos privilégios esquecendo-se dos perigos que isso lhes acarreta. Não estão mais dispostas a caminhar, querem estacionar. Oh quantas ovelhas como estas encontramos nesta ociosidade! Assim como escrevia eu no último artigo, “Ide para águas mais profundas”, aqui eu chamo a atenção para a necessidade e o compromisso de nunca nos acostumarmos com o pouco por melhor que nos pareça, pois o Pastor tem sempre coisa melhor para nós, sempre nos brindará com estancias mais aprazíveis, nos guiará seguramente pelos vales tenebrosos inevitáveis do caminho, nos dará sustento em tempos de estio, porque Ele é o Bom Pastor! E nós somos o seu rebanho.
Que esta simbólica reflexão nos leve a parar ainda que por alguns instantes, considerar estas situações e nos perguntarmos: estou apenas engordando e assim me prendendo à minha mesquinha zona de conforto, ou estou seguindo verdadeiramente o Bom Pastor, ou ainda : quero segui-lo? Os fracos buscam a esmola, os preguiçosos a humilhação, os decididos a promoção, os sábios a provação, porque para quem deseja o muito, há que esforçar-se muito por adquiri-lo. Isso é patente tanto na vida material como na espiritual. Assim também compreenderemos se permaneceremos na inutilidade ou acordaremos para o serviço que nos foi confiado. Podemos fazer mais!
Que a Paz do Senhor esteja entre nós!
Sem. Rodrigo Lima




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