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Cristologia

Atualizado: há 12 horas

(Parte 1 de 3)


Cristologia ascendente


Qualquer intervalo de 10 minutos com Dom Diogo é o suficiente para um semestre de estudos! Enfim, é Bispo! O restante deixemos de lado para não sermos reprovados.


Aproveito estas minhas humildes reflexões aqui expressas desde o meu ingresso na Igreja e simultaneamente no Seminário para abordar hoje um assunto de suma importância para nós que nos preparamos para o Sacerdócio, porém ainda mais importante para a clara instrução dos fiéis a nós confiados e o assunto de hoje, que para não me estender muito e acabar confundindo, dividirei em três partes distintas: cristologia ascendente, descendente e conclusão. Assim espero trazer luz a estas realidades, obviamente no sentido de esclarecê-las abordando os principais elementos que as envolvem.


O termo Cristologia ascendente já nos esclarece bem de que se trata sobre a realidade da humanidade de Cristo, verdadeiro Homem nascido da Virgem Maria. “E o Verbo se fez carne! É a Encarnação “nua e crua”, Jesus semente divina que germina sua humanidade dentro da humanidade de Maria. É a carne que se reveste de sentimentos, de fraquezas, de necessidades, alimento etc. Vai ascender ( subir) porém antes, Cristo “sofre” esta humanidade na concepção limitada dos seus próprios parentes, dos seus Discípulos e de todo o povo que esperava o Messias envolto numa glória sobrenatural, armado com um exército invencível, cujas legiões superassem as romanas. Esta humanidade que Ele carrega é motivo de desconfiança. “Como pode Ele fazer tais coisas? Sabemos que Deus não escuta os pecadores” até isso ele sofre ascendente que é. A isto se denomina “quenosis” que quer dizer esvaziamento total da sua Divindade fazendo ressaltar a Palavra que se fez carne, e não apenas brinca de ser humano.


O caminho traçado pela Onipotência exige total e verdadeiro rebaixamento: a realidade do feto, do recém-nascido, da criança, adolescente, trabalhador, pregador e, embora fizesse milagres, era tido apenas como um homem comum, filho do carpinteiro, comparado a um feiticeiro e confundido com um fantasma. E assim vai ser até a prova final da Cruz quando até os ossos ele deixa ver, “como um verme pisoteado”, “ transpassaram minhas mãos e meus pés e contaram todos os meus ossos”, algo que não atraia nada além de desprezo, prova cabal para aqueles que o condenaram como um embusteiro, malfeitor, réu merecedor da morte. Esta cristologia ascendente nos ensina a viver essa humanidade genuína de Cristo em nossa carne da qual Ele mesmo se revestiu, para que caiamos da nossa arrogância, do absolutismo, da prepotência, e nos tornemos mais e mais humanos para compreendermos a nossa própria matéria enquanto homens: vasos de barro vazios (quenosis) convidados a ascender progressivamente, lenta ou mais velozmente, todavia não esperando mais do que somos e compreendendo mais a que viemos.


Que a paz do Senhor seja com todos.


Sem. Rodrigo Lima


 

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