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Os braços sempre abertos


 

OS BRAÇOS MISERICORDIOSOS DE NOSSA SENHORA

Há, na maternidade de Nossa Senhora, um mistério que o coração humano jamais consegue contemplar inteiramente: o mistério de uma Mãe que, tendo participado intimamente dos sofrimentos do Filho, não deixou de acolher, com igual ternura, aqueles que o próprio Filho lhe confiou.

Aos pés da Cruz, quando o mundo parecia mergulhado na noite e o Coração de Cristo se oferecia ao Pai pela salvação dos homens, Jesus pronunciou palavras que atravessariam os séculos: “Eis aí o teu filho.” E ao discípulo: “Eis aí a tua Mãe.” Naquele momento solene, a maternidade de Maria, que já era realidade pelo mistério da Encarnação, recebeu uma dimensão nova e universal. Aquela que gerara o Redentor segundo a carne tornou-se, pela graça, Mãe daqueles que seriam regenerados pela Redenção.

Por isso, quando um filho de Maria se aproxima dela, não encontra uma porta fechada, nem um olhar indiferente, nem uma mão que se afasta diante da miséria. Encontra os braços de uma Mãe.

Os braços de Nossa Senhora estão sempre abertos.

Aberto estava o seu coração quando recebeu o Verbo de Deus; abertos permaneceram os seus braços quando recebeu o Corpo do Filho descido da Cruz; e abertos continuam diante de cada alma que, ferida, cansada ou arrependida, procura nela o refúgio da misericórdia.

Maria não contempla os seus filhos apenas quando estão fortes. Ela os contempla precisamente quando estão caídos.

Seus olhos maternos estão voltados para as nossas misérias; não para condená-las, mas para conduzi-las à misericórdia. Ela conhece as nossas fraquezas, as nossas quedas, as nossas lágrimas silenciosas, os combates que ninguém vê e as feridas que tantas vezes escondemos até de nós mesmos. E, conhecendo tudo isso, permanece Mãe.

É justamente aqui que resplandece a grandeza do seu amor: Maria não ama em nós aquilo que é perfeito; ama-nos como filhos que precisam ser conduzidos à perfeição de Cristo.

A misericórdia de Nossa Senhora, porém, não é uma misericórdia separada da justiça e da verdade de Deus. Ela não nos ensina a permanecer no pecado; conduz-nos para fora dele. Não encobre a ferida para que ela permaneça aberta; leva-a ao Médico Divino. Não substitui Cristo, mas nos entrega inteiramente a Cristo.

Toda a verdadeira devoção mariana termina necessariamente diante de Jesus.

Maria é a Mãe que aponta para o Filho. É a Virgem das Bodas de Caná que percebe a necessidade antes mesmo que os outros a manifestem e diz aos servidores: “Fazei tudo o que Ele vos disser.” Eis o coração de toda a mariologia: Maria acolhe, intercede e conduz. Seu amor nunca retém a alma para si; conduz sempre ao Coração de seu Filho.

Por isso é tão belo contemplá-la sob o título de Nossa Senhora das Mercês.

As mercês são os dons da misericórdia. E Maria, como Mãe espiritual, apresenta-se diante de seus filhos como aquela que, cheia de graça, intercede pelos que necessitam da graça. Não porque seja a fonte da Redenção — pois uma só é a fonte, Cristo Nosso Senhor —, mas porque, por disposição da própria Providência divina, foi associada de modo singular à obra de seu Filho e recebeu uma missão materna para com os membros do seu Corpo Místico.

Ela é a Mãe que suplica.

É a Mãe que permanece.

É a Mãe que espera.

É a Mãe que acolhe.

E, sobretudo, é a Mãe que não se esquece.

Quando tudo parece perdido, Maria ainda permanece de pé. Quando o pecador já não encontra palavras para rezar, os lábios maternos de Maria apresentam ao Céu uma súplica. Quando a alma se sente indigna de aproximar-se de Deus, ela encontra em Maria uma mão que a conduz novamente ao caminho da graça.

Nossa Senhora das Mercês é a Mãe que abre os braços sobre a miséria humana para que a miséria não seja a última palavra.

Porque a última palavra pertence à misericórdia.

E Maria Santíssima conhece profundamente essa misericórdia. Ela a contemplou no rosto de seu Filho. Ela a recebeu em sua própria alma. Ela esteve junto à Cruz quando a misericórdia divina se derramava sobre o mundo através do Sangue do Redentor. E agora, como Mãe, permanece junto aos seus filhos, conduzindo-os para a fonte de onde procede toda graça.

Há algo de profundamente consolador em saber que, no caminho da vida, existe um olhar materno que não se desvia de nós.

Os homens podem não compreender nossas lágrimas.

Podem não conhecer nossas batalhas.

Podem não perceber nossas quedas.

Mas Nossa Senhora vê.

Seus olhos maternos permanecem voltados para nós.

E quando nos vê feridos, não se afasta.

Quando nos vê caídos, não nos abandona.

Quando nos vê distantes, procura-nos.

Quando nos vê arrependidos, acolhe-nos.

Quando nos vê sem forças, conduz-nos pela mão.

E quando finalmente nos aproximamos de seu Coração Imaculado, ela faz aquilo que sempre fez: abre-nos o caminho para Cristo.

Por isso, filho de Maria, não tenhas medo de aproximar-te dela.

Leva-lhe aquilo que tens.

Leva-lhe também aquilo que não gostarias de mostrar a ninguém.

Leva as tuas dores, as tuas quedas, os teus fracassos, as tuas esperanças, as tuas lágrimas e até o silêncio que não sabes explicar.

Ela é Mãe.

E uma mãe verdadeira não fecha os braços diante da fraqueza de seu filho.

Nossa Senhora das Mercês permanece com os braços abertos, como se dissesse a cada alma: “Não temas. Eu estou aqui. Sou tua Mãe.”

E, acolhendo-nos junto ao seu Coração, ela nos conduz àquele que é a nossa única esperança, nosso único Redentor e nosso eterno Salvador:

Jesus Cristo, bendito fruto do seu ventre.

Ave, Maria, cheia de graça.

Mãe de misericórdia,

Mãe das Mercês,

olhai para os vossos filhos.

Voltai para nós esses vossos olhos misericordiosos e, depois deste exílio, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre.

Ó clemente, ó piedosa,

ó doce sempre Virgem Maria.

Nossa Senhora das Mercês, rogai por nós

Diácono Rodrigo Lima



 
 
 

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